107
Revista de Investigación y
Creación artística
Extraordinario 6
Febrero 2026
Investigación
ISSN: 2659-7721
Do ponto de vista da educação artística, o vídeo não é apenas um objeto final, mas um
lugar de encontro entre o que foi vivido pelas autoras e o que é experienciado pelos
espectadores. Cada fragmento visual ou sonoro pode ser relido, reativado ou continuado no
corpo de quem assiste, cumprindo um papel pedagógico que vai além da transmissão: trata-se de
uma provocação subtil, um convite à escuta expandida.
A presença do corpo como território de conhecimento, defendida por Leticia Fayos Bosch,
Belén Díez Atienza, Irene Covaleda Vicente e Pedro Zarzoso López (2025), é também central
nesta discussão. O corpo, longe de ser reduzido a ferramenta performativa, é aqui entendido
como arquivo vivo, como espaço de inscrição de memórias, afetos e gestos que desafiam
linearidades e categorias fixas. A escolha por trabalhar com movimentos intermédios, gestos
suspensos e desenhos do “ainda-não” reforça esta visão do corpo como potência em devir –
mais do que representar o que foi, o projeto sugere o que pode vir a ser. Mesmo em contextos
distintos, investigações como Olivar, cuerpo, identidad y territorio (Montoro et al., 2024)
demonstram como corpo, identidade e território podem se entrelaçar em processos artísticos —
algo que ressoa na nossa proposta de ativar memória corporal e paisagem sensível.
Do ponto de vista metodológico, a prática artográfica revelou-se especialmente fértil.
Trabalhar com base na experiência e na autorreflexividade permitiu construir um percurso
investigativo permeável às contingências e às falhas. O facto de a instalação inicialmente
prevista não ter sido realizada – por motivos externos à equipa – foi encarado não como
fracasso, mas como matéria de reinvenção. A adaptação ao formato vídeo não só respeitou os
princípios da proposta original como os ampliou, ao possibilitar novas relações entre imagem,
som e espectador.
Outro ponto de relevância prende-se com a acessibilidade da proposta. O uso de
tecnologias domésticas, ferramentas digitais intuitivas e materiais simples demonstrou que
projetos com densidade poética e investigativa não dependem de meios técnicos complexos.
Esta dimensão é importante no contexto da educação artística, sobretudo em escolas ou
instituições com recursos limitados, pois reforça a ideia de que a criação é antes de mais uma
questão de intenção e de afinação intuitiva.
Conforme exposto por Fayos Bosch (2025):
“La propuesta… es la introducción del grabado como práctica artística en el aula para el
desarrollo de actitudes creativas, de reflexión y análisis de los alumnos…”
Este posicionamento aproxima-se do nosso esforço com Topografias do Sentir, onde o
desenho atua como meio para ativar perceção, memória e pensamento crítico — ilustrando
como práticas gráficas simples, em contextos educativos, podem gerar experiências poéticas,
inclusivas e reflexivas de grande potencial formativo.
Por fim, o projeto evidencia a importância da coautoria como metodologia relacional. A
criação a duas vozes implicou negociação constante, escuta mútua e confiança no processo. Esta
dimensão relacional foi tão significativa quanto os produtos gerados: foi na entrelinha, na troca
e na abertura ao gesto da outra, que se construiu grande parte do valor educativo e artístico do
projeto. Como também sublinhado por Ana Sousa (2025), no âmbito do seu trabalho com arte e
tecnologias em contexto educativo, a prática da criação artística pode constituir-se como um
exercício de cocriação — uma metodologia relacional que integra a reflexão crítica, a
experimentação inspirada e a escuta colaborativa. Assim como em La educación artística en