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Revista de Investigación y  
Creación artística  
Extraordinario 6  
Febrero 2026  
Investigación  
ISSN: 2659-7721  
O serviço educativo de uma institução cultural e a sua relação com a  
comunidade  
The educational service of a cultural institution and its relationship with  
the community  
Anita Tinoco  
Universidade de Évora  
Recibido 11/09/2025 Revisado 24/09/2025  
Aceptado 15/11/2025 Publicado 16/02/2026  
Resumo:  
O presente artigo pretende indagar sobre a atividade do serviço educativo do Centro de  
Artes de Sines (Setúbal, Portugal) no papel desempenhado na aproximação à comunidade local  
e à comunidade escolar/académica. Para isso, foca-se na análise das atividades promovidas pelo  
serviço educativo, com destaque para as atividades de experimentação e criação artística,  
relacionando-as com um exemplo de cooperação com a comunidade: a ilustração do livro  
infantil “O Elefante Apaixonado”. Do trabalho desenvolvido infere-se que a abordagem do  
serviço educativo potencia o diálogo interinstitucional, intergeracional e interpessoal  
estimulando, por essa via, o pensamento crítico e criativo, consequência da participação e  
envolvimento da comunidade.  
Sugerencias para citar este artículo,  
Tinoco, Anita (2026). O serviço educativo de uma institução cultural e a sua relação com a comunidade. Afluir  
(Extraordinario VI), págs. 173-186, https://dx.doi.org/10.48260/ralf.extra6.209  
TINOCO, ANITA (2026). O serviço educativo de uma institução cultural e a sua relação com a comunidade.  
Afluir (Extraordinario VI), febrero 2026, pp. 173-186, https://dx.doi.org/10.48260/ralf.extra6.209  
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Abstract:  
This paper aims to investigate the activity of the educational service of the Centro de  
Artes de Sines (Setúbal, Portugal) in the role it plays in bringing together the local community  
and the school/academic community. To this end, it focuses on analyzing the activities  
promoted by the educational service, with an emphasis on artistic experimentation and creation,  
relating them to an example of cooperation with the community: the illustration of the children's  
book “O Elefante Apaixonado”. From the work carried out, it can be inferred that the  
educational service approach fosters inter-institutional, intergenerational and interpersonal  
dialog, thereby stimulating critical and creative thinking as a result of community participation  
and involvement.  
Palabras Clave: servicio educativo, arte, comunidad, pensamiento crítico,  
pensamiento creativo  
Key words: educational service, art, community, critical thinking, creative  
thinking  
Sugerencias para citar este artículo,  
Tinoco, Anita (2026). O serviço educativo de uma institução cultural e a sua relação com a comunidade. Afluir  
(Extraordinario VI), págs. 173-186, https://dx.doi.org/10.48260/ralf.extra6.209  
TINOCO, ANITA (2026). O serviço educativo de uma institução cultural e a sua relação com a comunidade.  
Afluir (Extraordinario VI), febrero 2026, pp. 173-186, https://dx.doi.org/10.48260/ralf.extra6.209  
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Introdução  
A existência de serviços educativos em instituições culturais tais como centros de arte e  
cultura são uma realidade, cabendo-lhe o desenvolvimento de parcerias com a comunidade e  
instituições existente no território onde estão inseridos tendo em vista a promoção da educação  
no domínio das artes.  
Partindo da premissa que o serviço educativo é o elo com a comunidade circundante, este  
artigo reflete sobre o papel do serviço educativo do Centro de Artes de Sines na aproximação e  
estabelecimento de relações com a comunidade local e com a comunidade escolar/académica,  
dando como exemplo o projeto de ilustração do livro infantil “O Elefante Apaixonado” que  
implicou a cooperação das seguintes entidades: o Agrupamento de Escolas do 1.º Ciclo de  
Sines, o Instituto Politécnico de Beja e o Município de Sines.  
O objetivo fundamental deste artigo radica em demonstrar que o trabalho de  
articulação/mediação efetuado pelo serviço educativo do Centro de Artes de Sines, assente na  
promoção da educação pela arte, contribui para o diálogo interinstitucional, intergeracional e  
interpessoal, gerando sinergias que permitem alcançar resultados que beneficiam a todos e  
estimulam o pensamento crítico e criativo.  
Serviços educativos em centros de arte e cultura  
Os serviços educativos em instituições culturais, nomeadamente em centros de arte e  
cultura, são “os primeiros responsáveis pelo contacto com o público, fazendo a ponte entre a  
instituição e a comunicação com o exterior” (Tinoco, 2025, p. 132).  
Nesta perspetiva, os serviços educativos deste tipo de instituições fazem a ponte entre as  
obras de arte e produções artísticas que recebem, o público que os visita e a comunidade onde  
estão inseridos, ajudando a interpretá-las e a compreendê-las. Por esta razão, pode afirmar-se  
que o serviço educativo é um elemento potenciador da promoção da educação pela arte e da  
educação artística.  
Associado a isso, a sua atuação concorre para o desenvolvimento do pensamento crítico e  
do pensamento criativo, na medida em que, através das atividades que realizam, estimulam os  
utilizadores do serviço a pensar sobre aquilo que estão a ver ou a participar, ampliando, desse  
modo, o entendimento sobre determinada realidade ou situação.  
Segundo Paul e Elder (2008), o pensamento crítico e o pensamento criativo são  
indissociáveis, e, sendo os centros de arte e cultura espaços onde a arte é encarada como  
elemento central, estes apresentam-se como espaços onde é estimulada a criatividade e a  
imaginação, apresentando-se como espaços privilegiados de liberdade e de participação.  
Pela sua atividade, os serviços educativos disponibilizam à comunidade envolvente um  
conjunto de propostas educativas no domínio das artes, incentivando a sua participação nas  
mesmas e aproximando-se de diferentes públicos através da dinamização e promoção de  
projetos conjuntos.  
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Considerando o anteriormente referido, a atuação dos serviços educativos de instituições  
não-escolares, nomeadamente instituições culturais, é campo fértil para o desenvolvimento de  
aprendizagens em diversas áreas, como por exemplo na área artística, e que essas aprendizagens  
emergem da participação ativa nas atividades dinamizadas por estes serviços (Tinoco, 2025),  
pelo que importa encontrar e estimular a adoção de mecanismos e estratégias que concorram  
para o estabelecimento de relações com a comunidade, à semelhança do que tem feito o Serviço  
Educativo e Cultural do Centro de Artes de Sines.  
O Centro de Artes de Sines  
O Centro de Artes de Sines situa-se na cidade portuguesa de Sines, distrito de Setúbal,  
região Alentejo, sub-região Alentejo Litoral e trata-se do principal equipamento cultural e de  
suporte às artes e educação em Sines.  
O Centro de Artes de Sines goza de uma localização central, estando localizado entre a  
cidade nova e a cidade antiga, integrando a estrutura na cidade e, ao mesmo tempo, dando-lhe a  
função de porta do centro histórico. Composto por um conjunto arquitetónico de quatro grandes  
corpos autónomos, ligados entre si por zonas de passagem, subterrânea ou não, apresenta-se  
como um espaço que abre portas à cultura, com programação para todos.  
Figura 1: Edifício do Centro de Artes de Sines © Daniel Malhão. Nota. Disponível em  
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Em funcionamento desde 2005, este edifício ganhou o prémio AICA/MC 2005  
(Associação Internacional de Críticos de Arte) e foi finalista do Prémio Mies van der Rohe  
2007, apresentando uma arquitetura moderna e inovadora, congregando no mesmo edifício  
várias valências e espaços, nomeadamente um centro de exposição, uma sala de cinema e teatro,  
uma biblioteca, um centro de documentação e o serviço educativo e cultural.  
Desta feita, o Centro de Artes de Sines pretende ser o “coração da vida cultural, artística e  
social de Sines; um espaço de encontros, de chegadas e partidas, onde se estabelecerão relações  
privilegiadas; de cumplicidade; de parceria entre a Câmara e a sociedade em geral; entre artistas  
e os vários públicos” (Carvalho, 2005).  
O serviço educativos e cultural do Centro de Artes de Sines  
O Serviço Educativo e Cultural é transversal a todas as valências do Centro de Artes de  
Sines e no âmbito da sua atuação desenvolve atividades para toda a comunidade educativa e  
local, dinamizando exposições, concertos, teatro, apresentações de livros, etc.  
Criado um ano depois da entrada em funcionamento do Centro de Artes de Sines, o  
Serviço Educativo e Cultural surge como estratégia de ligação e mediação entre a programação  
cultural e artística e os públicos que participam nas várias atividades, apresentando, por  
conseguinte, como objetivo promover a cultura e conhecimento na comunidade, contribuindo  
para a criação e consolidação de hábitos culturais, efetuando a mediação entre a programação do  
Centro de Artes e as várias valências bem como os seus público e, concomitantemente,  
estabelecendo relações de proximidade com a comunidade circundante.  
Figura 2: Logótipo do Centro de Artes de Sines. Nota. Disponível em https://www.sines.pt/pages/737  
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Desde a sua génese que o Serviço Educativo e Cultural do Centro de Artes de Sines tem  
promovido projetos culturais e pedagógicos para a comunidade local e escolar/académica. Pela  
natureza da instituição onde está inserido, este Serviço Educativo e Cultural tem centrado a sua  
atenção na criação e dinamização de projetos e atividades na área artística e nos processos de  
aprendizagem passíveis de desenvolvimento a partir do contacto com as diversas linguagens da  
arte.  
Entre a diversidade de projetos e atividades promovidas pelo Serviço Educativo e  
Cultural do Centro de Artes de Sines, destacam-se os seguintes que encerram uma componente  
de experimentação e criação artística e têm subjacente a colaboração e participação de parceiros  
presente na comunidade local e escolar/académica:  
a)  
projeto Do Centro para Dentro: trata-se de um projeto permanente, que consiste  
numa visita guiada aos Centro de Artes de Sines e que efetua uma abordagem aos conteúdos de  
acordo com a programação cultural patente. Procura proporcionar uma experiência direta com o  
espaço, objetos e técnicas artísticas, aproximando a comunidade daquele centro de artes;  
b)  
projeto Casa da Memória: este projeto consiste na criação de um espaço que  
acolhe representações de tradições, com recurso à multimédia, aliada às técnicas expositivas  
tradicionais, proporcionando uma experiência de mediação cultural imersiva e interativa, de  
conteúdos dedicados à preservação das artes e ofícios tradicionais, representativos da identidade  
cultural do território, da gastronomia ao artesanato;  
Figura 3: “Casa Preta” local do projeto Casa da Memória – © Daniel Malhão  
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c)  
projeto Ao Palco: este projeto articula a literatura e as artes performáticas,  
recorrendo a materiais como o livro para fomentar a contemplação e reflexão e a prática  
artística;  
d)  
projeto Mar&Arte: projeto que desenvolve atividades de natureza experimental,  
tais como ateliers de pintura, a partir de conteúdos relativos ao património que apresenta ligação  
com o mar, estimulando um olhar sobre o património natural, material, imaterial, cultural e  
humano do litoral alentejano, daí resultando interpretações e criações artísticas;  
e)  
projeto PRÉ-CAS: projeto dedicado à comunidade escolar, mais propriamente  
aos alunos do pré-escolar, e às famílias, como estratégia para aproximação à arte, procura  
proporcionar um primeiro contacto com o mundo das artes (artes plásticas e visuais);  
f)  
Ciclo CRIA: ciclo programático dedicado às famílias, agentes educativos e aos  
públicos de tenra idade que engloba atividades de experimentação e criação artística.  
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Estes são os projetos mais significativos que o Serviço Educativo e Cultural do Centro de  
Artes de Sines dinamiza, contudo, a sua atividade não se esgota aqui. Para além do destacado  
anteriormente,  
salientar  
a
realização  
de  
exposições,  
ateliers,  
formações  
e
participação/colaboração em festivais, como o Festival Monstra (Festival de Animação de  
Lisboa) e o Festival Músicas do Mundo, entre outros.  
Referir ainda que a característica transversal a todos os projetos e atividades consiste no  
enfoque dado à arte e às suas produções e a preocupação em enquadrar e estimular a  
participação da comunidade e a colaboração com as instituições escolares e académicas.  
Neste contexto, a arte é o ponto de partida para as aproximações realizadas junto da  
comunidade permitindo trabalhar junto desta a criatividade, imaginação e pensamento crítico,  
daí que se possa afirmar que “a arte acaba por ser uma pedra fundamental da evolução cultural e  
científica, uma vez que ela se baseia numa contínua expansão da imaginação (Souto, 2017,  
p.16), incentivando a participação de todos e contribuindo para o desenvolvimento do  
pensamento crítico e criativo.  
Acresce a isto a preocupação em proporcionar oportunidades de aprendizagem aos  
diferentes públicos, efetuando a mediação entre os conteúdos e o público, contextualizando as  
produções artísticas e incentivando a sua participação bem como a interligação entre os  
diferentes agentes da comunidade, valorizando o seu papel.  
Deste modo, através desta aproximação “promovemos la transdisciplinariedad, las  
construcciones sociales y la curiosidad, elementos decisivos para entender las diversas  
emergencias culturales que interesan a las generaciones” (Huerta, 2019, p.103), contribuindo,  
por esta via, para a irradicação da exclusão e para o reforço da participação cidadã dos  
utilizadores do Serviço Educativo e Cultural do Centro de Artes de Sines.  
Breve nota metodológica  
A indagação sobre a relação das atividades promovidas pelo Serviço Educativo e Cultural  
do Centro de Artes Sines com a aproximação à comunidade é efetuada a partir dos dados  
recolhidos através da entrevista semiestruturada realizada ao responsável do serviço educativo,  
no âmbito de um projeto de investigação do Programa de Doutoramento em Ciências da  
Educação da Universidade de Évora, e da triangulação desta com o livro infantil “O Elefante  
Apaixonado”, enquanto exemplo de cooperação entre instituições e pessoas, numa lógica de  
fomento do diálogo interinstitucional, interpessoal e intergeracional, suportado pelo trabalho de  
mediação efetuado pelo serviço educativo e cultural objeto de análise no presente artigo.  
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Relação com a comunidade: a ilustração do libro infantil O elefante  
apaixonado”  
O trabalho de relação com a comunidade é efetuado pelo Serviço Educativo e Cultural do  
Centro de Artes através da concretização de projetos de extensão. Com cerca de duas décadas de  
trabalho firmado nesta matéria, são inúmeros os projetos que este Serviço tem levado a cabo,  
adotando sempre uma perspetiva contínua de criação de relação com a comunidade envolvente.  
A génese do serviço educativo desta instituição cultural prende-se com a necessidade de  
atrair o público àquele espaço, pois como refere a responsável pelo Serviço Educativo (SE), no  
início, dinamizaram “um conjunto de atividades (…) para tentarmos que o público retomasse ao  
Centro de Artes” (E6.2.51), funcionando como “serviço de mediação entre a instituição e a  
nossa comunidade” (E6.2.68). De acordo com a responsável pelo serviço educativo “Quando  
falamos em comunidade, não é só a comunidade escolar, são todos” (E6.2.69), o que se reflete  
na programação efetuada, procurando “trazer a comunidade até à instituição e fazer a ligação  
entre as diferentes áreas artísticas que nós congregamos(E6.3.72).  
Das palavras do responsável do Serviço Educativo e Cultural do Centro de Artes de Sines  
fica evidente a preocupação em integrar e incluir todos os elementos da comunidade,  
funcionando aquele Serviço como polo de desenvolvimento social e cultural, cooperando com  
outras instituições da comunidade local, escolar/académica e incentivando a sua participação,  
uma vez que “queremos cada vez mais ter co-produtores, ou seja, queremos que a nossa, a nossa  
comunidade produza e apresente também as suas produções artísticas” (E6.3.78).  
O envolvimento da comunidade e a colaboração entre instituições e pessoas é assumido  
com naturalidade pelo responsável do serviço educativo em estudo, referindo que “temos uma  
relação muito aberta com a comunidade, principalmente com a comunidade escolar, que já nos  
encara como uns parceiros ativos e credíveis (E6.3.89).  
A relação com a comunidade é construída através da elaboração de projetos criados em  
parceria com os elementos da comunidade escolar e académica e através da dinamização de  
atividades que convidam à participação dos elementos da comunidade local procurando  
desconstruir preconceitos associados aos espaços de arte e à própria arte.  
Neste contexto, compreende-se que, entre as atividades desenvolvidas, o responsável do  
serviço educativo saliente as atividades de experimentação e criação, assinalando que “nós  
queremos cada vez mais potenciar a pessoa a criar, a experimentar, (…), nós temos os dias de  
criação e experimentação (E6.5.183), procurando, por esta via, promover o desenvolvimento do  
pensamento crítico e do pensamento criativo. O Ciclo CRIA é representativo dessa ideia, pois  
congrega atividades que estimulam a criatividade e o pensamento crítico, conforme consta da  
afirmação seguinte: “O “CRIA” vem muito disso, do criativo, do crítico, do fazer alguma coisa  
(...), do ser ativo culturalmente” (E6.17.704).  
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A preocupação em criar condições para a promoção do pensamento crítico e do  
pensamento criativo é transversal às várias atividades dinamizadas pelo Serviço Educativo e  
Cultural do Centro de Artes. De igual modo, transparece a preocupação em envolver os vários  
elementos e agentes da comunidade tanto na preparação como na dinamização das atividades,  
uma vez que “dentro da comunidade conseguimos elementos muito válidos” (E6.21.857).  
A ilustração do livro infantil “O Elefante Apaixonado” é um exemplo do trabalho de  
articulação e colaboração realizado por este Serviço Educativo com a comunidade. Enquadrado  
no âmbito do Projeto de 2.º ano “Cooperar para o Sucesso”, Projeto TEIP “Os Afetos”,  
desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas de Sines, no ano letivo de 2015/2016, em parceria  
com o Serviço Educativo e Cultural do Centro de Artes de Sines, consistiu na redação coletiva e  
desenho de uma história pelos alunos das turmas do 2.º ano do 1.º Ciclo daquele Agrupamento  
de Escola. Deste projeto nasceu outro projeto, o projeto de ilustração do livro infantil “O  
Elefante Apaixonado” que se apresenta de seguida.  
Na presença dos textos e desenhos elaborados pelos alunos do 2.º ano das Escolas do  
Concelho de Sines, a responsável por aquele Serviço Educativo contactou o Instituto Politécnico  
de Beja com o intuito de propor o criação e desenvolvimento do projeto de ilustração daquele  
conto infantil. Este projeto foi acolhido por esta instituição de ensino superior, “através do  
Laboratório de Arte e Comunicação Multimédia (LAB:ACM), que se propôs a fazer a  
(re)interpretação e a “(re)ilustração” do conto original dos alunos” (Matos, Passarinho, Santos &  
Rodrigues, p.513, 2018).  
O trabalho de ilustração do livro infantil foi atribuído a uma das alunas do Curso de  
Licenciatura em Artes Plásticas e Multimédia do IPBeja, contando com a orientação de dois  
docentes do referido curso e membros do LAB:ACM.  
O processo de ilustração da história escrita pelos alunos do 2.º ano do 1.º ciclo do  
Agrupamento de Escolas de Sines compreendeu diversas fases, que foram devidamente  
documentadas e que deram origem ao artigo académico/científico intitulado “Imaginário infantil  
como base do processo de ilustração do conto: “O Elefante Apaixonado” da autoria da aluna e  
docentes do IPBeja e da técnica responsável pelo Serviço Educativo e Cultural do Centro de  
Artes de Sines.No referido artigo fica evidente a iniciativa do Serviço Educativo e Cultural do  
Centro de Artes de Sines em propor o projeto de ilustração do livro a uma instituição de ensino  
superior, demonstrando, desta forma, a importância deste na articulação entre entidades e na  
busca de sinergias que procuram combinar diferentes interesses para alcançar um resultado  
comum.  
Para o Serviço Educativo e Cultural do Centro de Artes de Sines a colaboração com o  
LAB:CAM do IPBeja apresenta-se como uma oportunidade para concretizar a edição e  
publicação de um trabalho desenvolvido pelas escolas do 1.º ciclo do concelho de Sines e, para  
o LAB:CAM, para além de representar uma oportunidade para um dos alunos da licenciatura  
colocar em prática as aprendizagens realizadas em contexto académico, a participação neste  
projeto correspondeu a uma oportunidade para refletir teoricamente sobre o processo de  
ilustração.  
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Do ponto de vista teórico, este projeto implicou uma reflexão que sobre aspetos  
relacionados com literacia visual, público-alvo, tipografia a utilizar, etc. Para isso, efetuou-se  
uma revisão da literatura que fundamentou as decisões tomadas ao longo da conceção das  
ilustrações do livro infantil. Por seu lado, na perspetiva do Serviço Educativo e Cultural do  
Centro de Artes de Sines, importava encontrar uma forma de salvaguardar e valorizar o trabalho  
previamente realizado pelos alunos do Agrupamento de Escolas de Sines, sem que este fosse  
desvirtuado ou anulado.  
Apesar dos diferentes pontos de vista e interesses das partes envolvidas neste projeto, foi  
possível chegar a um consenso que respeitasse e valorizasse o entendimento de cada uma das  
partes. Um dos aspetos que emergiu desde o início prendeu-se com o caráter afetivo do projeto  
inicial e com a necessidade de serem mantidos os desenhos originais produzidos pelos alunos do  
Agrupamento de Escolas de Sines, o que foi conseguido através da inclusão no livro de um  
poster A2.  
Quanto ao processo de ilustração, este tomou em consideração os desenhos produzidos  
pelos alunos, servindo como ponto de partida para a criação das ilustrações. Neste  
enquadramento, foi tida em conta a forma como os alunos representavam as personagens da  
história e a interpretação dada à mesma e, com base nisto, foi efetuada uma análise crítica aos  
elementos utilizados pelos alunos para representar a história, tendo-se observado diferenças na  
interpretação e perceção da história, sendo, no entanto, comum a presença de texturas e traços  
característicos do desenho infantil que viriam a ser consideradas no processo de ilustração.  
Pelo atrás referido, pode afirmar-se que o Serviço Educativo e Cultural do Centro de  
Artes de Sines conseguiu, através da conjugação de interesses, mobilizar diferentes entidades e  
intervenientes; conseguiu ainda retirar partido da capacidade de cada um deles tornando  
possível a edição e publicação de um livro infantil.  
Por conseguinte, o projeto de ilustração do livro infantil “O Elefante Apaixonado”  
apresenta-se como um exemplo de um processo de trabalho colaborativo que engloba a  
participação de diferentes instituições, o Município de Sines, o Agrupamento de Escolas de  
Sines e o Instituto Politécnico de Beja, bem como a participação dos professores, alunos e  
técnicos daquelas instituições, mediadas pelo trabalho de ligação efetuado pelo Serviço  
Educativo e Cultural do Centro de Artes de Sines.  
Do trabalho realizado por este serviço educativo fica evidente a capacidade que este  
apresenta na promoção da participação ativa da comunidade, aproximando instituições e  
pessoas, daí resultando o enriquecimento de todos, a partir de atividades que têm por base a arte.  
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Figura 5: Póster com os desenhos originais dos alunos  
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Figura 5: Ilustrações do livro infantil “O Efefante Apaixonado”  
Considerações finais  
O presente artigo centrou-se na temática da relação entre o trabalho do Serviço Educativo  
e Cultural do Centro de Artes de Sines e a aproximação à comunidade.  
Resulta do exposto que o Serviço Educativo e Cultural do Centro de Artes de Sines  
desempenha um papel de destaque no referente à aproximação e formação de públicos,  
incentivando a ação/participação comunitária e procurando estabelecer e fortalecer vínculos  
com a comunidade envolvente por meio de uma aproximação às diversas linguagens artísticas,  
estabelecendo, para esse fim, parcerias com diferentes instituições e pessoas.  
O caso da ilustração do livro infantil “O Elefante Apaixonado” é exemplificativo do  
trabalho de relação efetuado por aquele serviço junto da comunidade, congregando num mesmo  
projeto vários parceiros, e, por essa via, contribuindo para a formação de públicos para as artes e  
para a cultura, no geral.  
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lgtbfobia. Tarbiya, Revista De Investigación E Innovación Educativa, (47), 93106.  
Matos, S., Passarinho, A., Santos, C. P., & Rodrigues, L. (2018). Imaginário infantil como base  
do processo de ilustração do conto: “O Elefante Apaixonado”. In Instituto Politécnico do  
Cávado e do Ave (ed.), Atas do Confia 2018 6th International Conference on  
Illustration & Animation (pp. 513-523), Esposende. ISNB: 978-989-99861-6-9  
Paul, R., & Elder, L. (Org.) (2008). The miniature guide to critical thinking-concepts and tools,  
Fifth Ed. Dillon Beach. Foundation for Critical Thinking Press.  
Souto. O. (2017). Educação, Arte e Património [Master’s thesis, Universidade de Lisboa].  
Universidade de Lisboa.  
Tinoco, A. (2025). Serviços Educativos em instituições não-escolares na região Alentejo: um  
estudo de caso. [Doctoral dissertation, Universidade de Évora]. Universidade de Évora.